O CON*DOR

ANO I - NÚMERO 1 - JANEIRO DE 1997

BOLETIM INFORMATIVO DA TURMA 57-BQ/ASPIRANTES 62.



A MINHA HISTÓRIA

Em 1957, após ter sido aprovado no Concurso, eu me preparava para BQ. A informação que eu tinha era que o negócio do calouro era ser moita, passar despercebido. Estava em casa e toca o telefone. Uma voz pergunta:
- "Cadete Sucupira?"
Respondi cheio de vibração:
- "É ele mesmo!!!"
- " Pois me admira muito você já ser CADETE; eu estou no segundo ano e ainda sou ALUNO."
- "Quem está falando?"
- "É o Peroba!"
- "Eu não estou sabendo dessa história."
- "Está no jornal A GAZETA DE SÃO PAULO."
Saí correndo para comprar o jornal. Meu avô era o Redator-Chefe da Gazeta e, entusiasmado com o sucesso do neto, fez uma matéria com chamada em negritos:

CADETE-DO-AR GEORGE WILLIAM DE ARARIPE SUCUPIRA

"Após brilhantes exames acaba de ingressar na EPCAr o jovem George William César de Araripe Sucupira, filho de Napoleão Francisco de Araripe Sucupira, neto do Jornalista Francisco Monteiro de Araripe Sucupira e bisneto do Major Carolino Bolívar de Araripe Sucupira, herói da Guerra do Paraguai, onde fará brilhante curso."

Aí eu percebi que a coisa ia ficar feia para o meu lado. Chegando em BQ, na subida da rampa da Escola, o veteranal reunido no pátio do Cassino, debruçado no muro, já gritava babando:
- "Sucupira! Sucupira! Sucupira! Sucupira!"
Pensei então: Fu&%&#, fu&%&# e meio. Levantei o braço e acenei para eles. Foi a minha consagradora identificação. Quando chegamos ao pátio dos alojamentos encontramos a Repelândia: Zé Nelson, Noronha, Silveira, Hailê Salassiê... Ali mesmo me pegaram e eu recebi as mais calorosas boas-vindas. Por sacanagem botaram a minha cama em frente à porta do alojamento. Aquela foi pior que noite de lua de mel; eu fui solicitado a noite toda. Era uma atrás da outra. Isso, no entanto, me aproximou do veteranal.

Um dia no Jardim de Alá, depois de comer muita babosa e muita salada de flores e folhas exóticas, um cara perguntou:
- "Como tu aguentas isso aqui? Todo o mundo pegando no teu pé?"
Eu respondi:
- "Tudo por amor à FAB!", e dei uma bruta cabeçada num moirão do jardim.

Quando passou a fase braba do trote, e tudo andava às mil maravilhas, o meu pai foi me visitar em BQ. Como ele vibrava com a Escola e comigo, tirou fotos de tudo e de todos.. Em Sampa mandou revelar e escolheu uma das mais bonitas, onde aparecia o Capitão Dário, impecável na posição de descançar. Não contente, caprichou na dedicatória: "Ao jovem Capitão Dário, brilhante oficial, uma lembrança de nossa visita a Barbacena." E assinou: Sucupira. Abri a carta que trazia a foto no Estudo Obrigatório e comecei a dar risadas. Como o meu pai podia ser tão ingênuo a ponto de mandar uma foto daquelas, com aquela dedicatória, e pedir-me para entregá-la ao Capitão. O Aluno-de-Dia era o Gomes, 56-06, um bom FDP; me pegou rindo e, com aquela cara náusea, perguntou do que ria. Eu disse que era da foto. Ele a tomou e, covardemente, a mostrou ao 2º Ano inteiro.. Não contente, leu a dedicatória dizendo que eu a havia escrito. Aí voltei à estaca zero e o veteranal não me poupou durante um bom tempo. Foi pena o Dário não Ter recebido aquela bela fotografia. Agradeço ao meu avô e a meu pai, orgulhosos paulistas quatrocentões, inesdquecíveis momentos em Barbacena. VALEU!

57-71, George William César de Araripe Sucupira



POEMA

Choraste!...
E as tuas lágrimas
Rolaram pelos meus olhos
E se fizeram estrelas
No céu de minha alma!

E nunca mais
Olhei para outro céu
Que não fosse o meu!

Al. 57-18 Brasil



NOTÍCIAS DA COMISSÃO

-> Confirmado: oitenta companheiros irão a BQ. Só 32 tiveram permissão para voar solo; 48 levarão as esposas.

-> Os Tesoureiros informam: a Turma tem 17 mil reais, muito bem aplicados.

-> Para facilitar haverá um ônibus saindo do Aerporto Santos-Dumont, às 13h do dia 7 de março, com destino ao DARJ.

-> No DARJ poderão ficar estacionados os carros dos integrantes da caravana.

-> A saída dos ônibus do DARJ para BQ será, britânicamente, às 14 horas.

-> Ficará a cargo do Ivan, o Azeitona, em BQ, a difícil operação "cada qual com cada qual" (expressão do Amorim), ou seja, a distribuição dos quartos. Colaborem mantendo-se sóbrios até saberem onde vão dormir. E com quem.

-> A homenagem aos mestres será realizada no dia 7, durante o coquetel no Grogotó.

-> O jantar no dia da chegada não está programado. Cada um deverá fazer a sua reserva junto ao restaurante do Hotel para evitar atropelos.

-> O Reginaldo foi aclamado comandante do Paradão. Ainda há tempo para treinarem ordem unida e evitar vexames diante das esposas e do Dário.

-> Os colegas Oficiais da Ativa estarão garbosamente fardados com o 7º ª

-> Na volta, um ônibus fará o roteiro BQ/Tiradentes/cabangu/Rio e o outro BQ/Tiradentes/Rio. Escolham!

-> Viva a UTQP! (Uma Turma Quase Perfeita)



PAULISTAS E CARIOCAS

Tem aquela do Manoel Carlos Pereira, paulista como eu, vítima daquela "eterna" rivalidade entre paulistas e cariocas e alvo das gozações do Asvolinsque - que nem carioca é. Durante os dois anos de BQ ele repetiu: "Paulista trabalha e o carioca é quem se diverte nas praias mais lindas, blá, blá, blá!" Quando a Turma foi de trem especial para a Escola de Aeronáutica, então no Rio, chegamos na Central do Brasil cerca das 7 horas e vimos aquele horror de gente saindo e entrando pelas janelas dos trens ainda em movimento. O Manoel, com aquela classe quatrocentona, perguntou pro Fangula: Esta gente está indo ou voltando das praias?"

57-171, Schneider



PODEROSA

A Turma congregou, na reunião de janeiro, 27 fiéis companheiros que beberam tudo o que tinham direito e riram, às bandeiras despregadas, das intermináveis, mas nem sempre publicáveis, histórias de BQ.



NO CHURRASCO CARIOCA

O Cubas chegou cedo e animado na festa do fim do ano. Ao primeiro cara que viu foi dizendo, de braços abertos: "Que bom te encontrar aqui! Que alegria te ver de novo! Qual era mesmo teu número em BQ? Eu sou o Cubas!!!" O cara respondeu: "Eu sou o garçom."



ANIVERSARIANTES

Parabéns da Turma para os que nasceram em FEVEREIRO!
06 - Silva Campos (57-68)
08 - Castro Lima (59-348)
09 - Aquino (57-76)
13 - Souza (57-52)
15 - Brandão (58-259)
16 - Brasil (57-18)
19 - Clarindo (56-137)
23 - Curtiss (57-45)
26 - Edson Nunes (57-135)
28 - Ivan (57-126)



SÓ ACONTECE COMIGO

Há muitos anos, quando eu servia na Prefeitura da Aeronáutica do Galeão, estava certa tarde enrolado em meio a pedidos de reformas de "Próprios Nacionais", além de consertos de canos furados e pias entupidas, quando minha mulher telefonou. Nervosa, ela dizia que estava sendo amolada por um PM que tomou a decisão irredutível de guinchar o carro dela, só porque havia parado num lugar proibido. "Um absurdo", dizia ela. Perguntei, também já nervoso: "Onde está você? Eu estou no trabalho", e a linha caiu. "Meu Deus, vão guinchar a minha mulher! O que posso fazer?" Larguei das pias, dos canos, e liguei pro Neves, companheiro de BQ que estava na PM, e que comandava o Centro de Formação de Soldados, na Fazenda dos Afonsos. Foi contato imediato e logo eu estava narrando, nervoso, que minha mulher tinha sido autuada e que o carro fora guinchado, que a M era geral. O Neves, com calma, fazia-me perguntas que eu mal registrava e não sabia responder, do tipo: "Onde foi a ocorrência?" "Perto do trabalho da minha mulher!" "Onde?" "Sei lá! Parece que é no Centro; ela é professora.""Qual a placa do auto?" Não lembro!"Qual a marca?" "Qual a cor do carro?" "Qual o nome da sua esposa?" "Qual?" "Qual?" "Qual?" Atordoado, suando, tive um surto de amnésia e, em pânico, desliguei o telefone. Nem o nome dela eu disse. O Neves deve Ter pensado que comigo acontecia o mesmo que sucedeu com aquele velho marido, que há anos só tratava a esposa por Santa, Querida, Minha Flor. Quando lhe perguntaram como, depois de tanto tempo, usava ainda desses para chamar a mulher, o romântico respondeu: "Faz trinta anos que esqueci o raio do nome dela!" Mas o Neves sabia que não era o meu caso. Passou uma angustiante meia hora e o amigo ligou dizendo: "Bené, tudo resolvido. O carro já foi liberado. É um Corcel vermelho, placa BQ-1957. A infraçãp foi às 10h33min. Sua esposa trabalha na Secretaria de Educação, na Avenida Almirante Barroso nº 118, aqui no Rio. Fique tranquilo." E para finalizar, acrescentou: "Bené, a sua esposa se chama Ana Lúcia!"



FRASE DO MÊS

"Devo ao que aprendi na EPCAr boa parte de meu sucesso como empresário!"
56-148, Noleto. (Pecuarista, fundador da Rede de Supermercados Planaltão de Brasília, proprietário de postos de gasolina, na reunião de janeiro, justificando seu polpudo apoio à festa dos 40 anos.)



O QUE A EPCAr SIGNIFICOU PARA VOCÊ?

"Um sonho que não se concretizou, mas que acalento até hoje!", 57-13, Nunes.

"A origem, o princípio e, talvez, por consequência, o fim de tudo. Se eu pudesse começaria tudo de novo! Lá em BQ, por supuesto.", 57-04, Luiz Mauro.

"O sonho, que ainda não acabou!", 57-24, Campos.

"A formação de um caráter quase perfeito!", 57-54, Seixas.

"Amadurecimento precoce; responsabilidade; autoridade; cooperação; integração; embasamento para uma vida profissional!", 57-19, Nicolau.



CANÇÕES DE BQ

Escultura
(Paródia do 57-136, Cardoso)

Cansado de camofiar,
Eu quis um dia criar
Na minha imaginação
Uma camofa diferente,
Que não fosse órfã de dente
E atingisse a perfeição.

Comecei a esculturar,
No meu sonho singular,
Essa camofa granfina.
Dei-lhe a voz de Zuzuca,
Sua pinta era de luta,
E a bunda de Cesarina.

Em Carminha fui buscar
O sorriso e o olhar,
Pois brilham mais do que o sol.
Procurei em vão no espaço
A vergonha e o c@&@#º
Da tal de Marli Fenol.

E assim, de retalho em retalho,
Terminei o meu trabalho,
Minha obra maravilhosa...
E quando cheguei ao fim,
Tinha diante de mim, (delfim)
Você, só você, Badalosa!


Você está lendo O CON*DOR de janeiro de 1997.


[ VOLTAR ]