CLAUDINEI FULLMANN
![]()
Claudinei Fullmann, sessenta anos – felicidade explícitaO dia era 29; o mês, Junho; o ano, 2000; o Estado, São Paulo; a Cidade, São José dos Campos; o momento, crepuscular. Em uma estrada vicinal, um Volkswagen (Gol) deslizava mansamente em direção à Mantiqueira que já exibia, em seu contorno, um suave "dégradé" carmesim, imagem que graváramos na retina; naquele instante, éramos remetidos ao saudoso passado, "baú", guardado em cofre-forte, nas alterosas, prolongamento natural daquela cadeia de montanhas - Barbacena.
![]()
Integrantes da Turma em pose no saguão do hotelFelizes os que podem caminhar, fronte erguida, passo firme – independendo da época – em direção ao passado. Era o nosso caso. Após os procedimentos rotineiros: hospedagem, troca de roupas etc., na hora marcada chegamos ao cinematográfico local onde o Professor Fullmann recepcionaria seus convidados. Eu, João Carlos e Esposa e Luís Mauro, por termos viajado juntos no carro do João, chegamos no mesmo instante. Na fila dos cumprimentos, já encontramos o Vieira, o Brito, o Duncan, o Pato, o Sucupira, o Diniz.
No salão nobre era servido o coquetel de boas vindas, que levava o nome "OUROTOUR", em homenagem ao hotel que serviu de pano-de-fundo ao acontecimento. Vários outros colegas da Turma, ali já instalados, bebericavam seus drinques; era o caso do Pereira, do Assis Brasil e de muitos outros, alguns com as respectivas esposas. Evento que fora programado com esmero, tinha um "Ar" holiudiano e possuía a seguinte programação:
19h45min - Jantar
20h45min - Show Pirotécnico (queima de fogos)
21h - Sobremesa & Danças de:
Alemanha – Grupo Tirol
Portugal – Aldeias de Portugal
Espanha – El Rocio
Brasil – Centro de Dança Jaime Aroxa, seguido da Quadrilha com Nois Memo
23h - Bolo & Baile
![]()
Fullmann em famíliaO Claudiney Fullmann era o 141º dos 172 alunos que foram matriculados na velha E.P.C.do Ar, uma escola modelo criada por idealistas, no final dos anos quarenta e que se destinava a preparar jovens procedentes de todos os cantos deste nosso imenso Brasil, para a aviação militar, para a jovem Forca Aérea Brasileira. Na realidade, a FAB fazia uma rigorosa seleção e conseguia reunir "afins" de mentes e corpos sadios, de maneira altruística, por saber que, apenas um terço ou pouco menos, de nós estaria pronto para voar. Aprendemos a amar a Pátria com toda força da nossa sadia juventude e o resultado não poderia ser diferente.
O Fullmann, a exemplo de tantos outros companheiros, não seguiu a carreira militar, mas continuou ligado à Turma e, 44 anos depois, estávamos ali, por livre espontânea vontade e muito amor, pelo prazer dos prazeres de uma cumplicidade que resolvemos eternizar. Todos voltamos a ser meninos para não perdermos um só instante da felicidade que nos possuíra.
![]()
Pausa para uma fotografia durante o jantarO jantar foi servido, e, enquanto degustávamos filé de salmon a Grimaldi com brócolis e arroz branco, o anfitrião "abocanhava" o microfone para apresentar seus pais que, apesar da idade avançada, curtiam a festa como se fosse a que costumávamos promover para despedida dos amigos de rua, quando passávamos para a Escola; esta foi a imagem que me ocorreu.
![]()
Outro flagrante do jantarA programação era administrada por rigorosa cronologia e, às 20h 45min, fomos conduzidos ao pátio lateral do hotel para assistirmos a um show pirotécnico, não sem antes recebermos, de per si, uma touca confeccionada com muito bom gosto, a exemplo de tudo que nos era oferecido. A touca cumpria dupla finalidade: protegia-nos do rigoroso frio que imperava na Montanha e da fuligem do intenso foguetório que espoucou durante um considerável tempo de que consegui gravar um detalhe: foram sessentatiros de canhão intercalados por policrômica pirotecnia, lembrando os momentos que antecedem o início do desfile das escolas de samba no sambódromo do Rio de Janeiro.
![]()
Dois companheiros param para admirar a pirotecnia dos fogosRetornamos ao salão para Sobremesa & Dança, outra surpresa que nos tinha sido reservada. O Fullmann, na qualidade de Mestre de Cerimônia, apresentou os grupos de convidados uns aos outros e colocou o microfone à disposição de quem quisesse fazer uso da palavra.
![]()
A saudação em nome da Turma feita pelo SucupiraEntão o Sucupira, valendo-se da verve que Deus lhe deu, não se fez de rogado e convocou-nos, um-a-um, para formarmos a velha Esquadrilha, presentearmos o aniversariante com uma caneta de ouro e cantarmos juntos o Hino do Aviador, deixando ecoar, naquela montanha, o Grito de Guerra da Turma Quase-Perfeita.
![]()
Integrantes da Turma, liderados pelo Cardoso, cantam o Hino do AviadorO homenageado, emocionado, agradeceu a presença maciça dos companheiros de Turma, concedendo aos demais amigos e colegas dos vários setores por onde passou a mesma oportunidade. Colegas de ginásio, de bairro e de faculdades marcaram também suas presenças, abrilhantando, cada vez mais, a festiva comemoração. Justificando a apresentação dos grupos folclóricos da Alemanha, de Portugal, da Espanha e do Brasil, o anfitrião, antes de cada apresentação, desfibrava suas raízes e, valendo-se do conhecimento do fenômeno da capilaridade, espargia, sobre seus convidados, a essência de sua formação étnica.
E a Banda Tirol executava os dobrados da Alemanha; em seguida, o grupo português dançava o "vira"; a Espanha era representada pelo grupo El Rocio, e as bailarinas desfilavam suas mourísticas sensualidades ao som da castanhola; o grupo, que representou o Brasil, com mulatas e tudo mais, defendeu, com unhas e dentes, as nossas tradições.
Já passava das 24 horas, quando aconteceu a última e apoteótica sessão do programa: uma orquestra eletrônica, sob o comando de um crúner versátil que fez, efetivamente, através da música, uma viagem pelos anos 40, 50, 60, 70, 80 e 90, exatamente pelas décadas por onde passeamos as fantasias e ilusões de todos os nossos anos dourados.
56-136, clarindosantos@bigfoot.com HISTÓRICO
![]()
Os Pais – Anna e Guilherme FullmannEm 1920, o alemão Adolph Robert Fullmann, que ficou parcialmente surdo com os estilhaços de uma granada, na Primeira Guerra Mundial, partiu de Altona, Hamburg, com sua mulher Emma Guilhermina Josephina Fisher Fullmann e sete filhos, dentre eles Guilherme Fullmann, de quatro anos, para o Brasil, indo trabalhar, como colono, em uma plantação de chá-mate, em Cruz Machado, no Paraná e, posteriormente, em uma olaria, em Bauru e depois em Sorocaba, São Paulo. Em 1914, o português, Manoel Pinto Junior, de 23 anos, partiu de Lisboa e veio, também, para o Brasil, indo trabalhar como colono em uma fazenda de café, em Avaré e depois na Estrada de Ferro Sorocabana, em Sorocaba. Em 1907, a espanhola Antonia Garcia Navarro,de 8 anos, saiu, com a família, de Almeria, Andaluzia, indo para Avaré. Em 1915, conheceu Manoel e tiveram como primeira filha Anna Garcia Pinto, em 1917. Guilherme, tecelão e Anna, tecelã, conheceram-se em Sorocaba, casaram-se em S.Paulo e tiveram o filho Claudiney Fullmann, no dia 29 de Junho de 1940, às 12 horas, em um festivo dia de São Pedro, no bairro do Brás em, S.Paulo.
Embora nascido em berço pobre e de baixa instrução, em pleno período da Segunda Guerra Mundial, foi cercado de muito carinho e educação de base. A mistura das culturas alemã, portuguesa, espanhola e brasileira permitiu-lhe uma formação eclética e a construção de um caráter especial - um alemão romântico, alegre, sério, batalhador, carinhoso, perseverante, confiável e sempre disponível - um grande amigo. A influência de seus avós foi marcante, em particular a do avô Manoel, que profetizava um grande futuro para aquele menino: "Quando crescer, vai ser um burguês!" E o Ney cresceu, construindo um castelo de amigos.
Seu primeiro aniversário foi marcado por uma festa singela. Como a "grana" estava curta, era uma fogueira, um quentão e bolinho frito. Meia garrafa de pinga bastaria, mas como o quentão ficou forte, puseram mais água e ele ficou muito fraco. Com uma "vaquinha" entre amigos compraram mais meia garrafa de pinga, e depois mais outra meia garrafa, até chegar no ponto. Do Brás, foram para a Moóca, onde seu segundo aniversário, na Rua dos Trilhos, foi mais farto, com ameixas recheadas, olho-de-sogra, cajuzinhos e até cerveja e guaraná. Com o trabalho árduo de Guilherme e Anna, compraram sua primeira, casa na Vila Formosa, em 1949 e lá, no meio do mato, com vasto campo de capim barba-de-bode, o ambiente era propício para festas juninas e, ano após ano, Dona Anna sempre fez uma fogueira e um quentão para comemorar seu aniversário, mesmo quando ele esteve ausente. Hoje, ela apenas vai pular a fogueira!
Na sua adolescência, quando imaginava o ano 2000, enquanto muitos achavam que não chegariam lá, ele sempre dizia: "no ano 2000, eu farei 60 anos". Há mais de dois anos, ele começou a preparar a "festa com 60 amigos", uma festa que relembrasse todos os bons momentos vividos com alegria e garra, que o fizeram superar todas as dificuldades que a vida nos traz, sempre assistido por algum amigo, muitos aqui presentes. Com o espírito sempre jovem, que nesta data completa 30 anos, ele governa o físico, projeta mais atividades para os próximos 25 anos e convida, desde já, os amigos para compartilharem de novos encontros. A música e a dança sempre o fascinaram. E ele escolheu, para homenagear seus ancestrais e fazer uma viagem musical com seus amigos, as músicas folclóricas e melodias que marcaram os grandes momentos vividos ao longo destas seis décadas, ou, como ele racionaliza: "das cinco dúzias de anos" . Deixemos nossas mentes livres para viajar no tempo, curtir a música e a festa, agradecendo a Deus por esta vida maravilhosa que já vivemos, por ter-nos permitido chegar até aqui. Se for de Sua vontade, que sejamos capazes de manter esta chama amiga para sempre.
O texto acima, de rara inspiração, manifestação dos amigos do Ney, foi lido depois dos fogos e antes das apresentações dos grupos folclóricos.
A REDAÇÃO AGRADECIMENTOS DO FULLMANN Queridos amigos,Quero agradecer, agradecer, agradecer... Quero agradecer a Deus, por ter nascido como nasci, crescido como cresci, aprendido como aprendi – às vezes pelo caminho mais difícil – vivido como vivi, ter sofrido como sofri, ter-me divertido como me diverti, amado como amei – tanto a pessoas como a tudo que fiz – e, sobretudo, por ter amigos como vocês. Deus foi, e continua sendo, muito pródigo para comigo, mesmo deixando-me careca desde os meus vinte anos, pois não precisei ficar velho para perder os cabelos; pela mesma razão, hoje ainda me sinto jovem, como nos meus 20 anos, talvez 30! Até aqui, fui coroado de bastante bênçãos e gostaria de espargi-las para todos os presentes. Quero agradecer aos meus pais Anna e Guilherme, que me deram a vida e a educação de base no aconchego familiar. Quero agradecer aos meus filhos Cláudia e Fernando, a meu genro Marcelo e meu netinho Henrique. Agradecer também ao meu sobrinho, quase filho, Guilherme. Quero agradecer à Silvia que, com a Larissa, deram mais alegria à minha vida. Deus criou uma nova ponte entre nós. Quero nominar cada um dos sessenta amigos aqui presentes e agradecer a vinda de suas companheiras. Ao mesmo tempo em que agradeço suas presenças, peço-lhes perdão por alguma mágoa que tenha eventualmente deixado no passado. Foi uma alegria imensa reencontrar alguns que, por décadas, ficaram apenas na lembrança, sem um contato mais freqüente.
Durante a preparação deste dia, uma coisa ficou evidente para mim: amigo é aquele que você encontra muitos anos depois e é capaz de continuar um bate-papo que pareceu ter sido interrompido apenas na véspera. Há uma espécie de chama encoberta pelo tempo que se inflama com um leve sopro. Peço a Deus que me dê fôlego para continuar soprando. E foi assim que, de cada década, extraí pedras preciosas que formam o tesouro de meu castelo.
Na década de 40, quando mudei para a Vila Formosa, conheci o Henrique Parra. No Grupo Escolar Amadeu Amaral e, depois, no Rocca, Dordal e, ainda, no Sarmiento, o Adhemar Ruiz. Na década de 50, os amigos do Sarmiento: Lucen Jamas, também da Vila, Jair Lício, Élcio Martins, José Lopes e José Carbone.
Ao concluir o ginásio, ingressei na Escola Preparatória de Cadetes do Ar. Com 16 anos, parti para Barbacena e tive a felicidade de conhecer uma nova turma de amigos de todos os cantos do país: Maurício Pereira, George Sucupira, Augusto Diniz, José Vieira (perdoe-me por não tê-lo deixado casar-se com minha irmã), Brasil, Cardoso, Chagas, Clarindo, Cubas (ausente), Duncan, Gonçalves, Luís Mauro, João Carlos, Mauro Brito, Oldack e Vasquez. Para quem gosta de "brigadeiros", aquelas mesas estão repletas. Retornando para São Paulo, enquanto trabalhava na TV Excelsior e fazia o cursinho Anglo-Latino, conheci o Alcyr Alcântara Barbosa e, posteriormente, o Hamilton e o Juca, José Zakir.
Na década de 60, ingressando na FEI, Faculdade de Engenharia Industrial, passei a pertencer a mais uma turma valorosa, que aqui está representada, desde o veterano Arpão, até os bichos Clóvis Bate e Folio, incluindo Faro, Ivo, Marinho, Marshall, Mituo e Nalzimir. Depois da militância universitária, durante a ditadura de 64, participei do famoso movimento estudantil de maio de 68, em Paris, enquanto fazia pós-graduação em racionalização e produtividade. Trazendo a filha Cláudia importada, desempenhei dupla carreira: uma acadêmica, como professor da FEl, da Mauá e da FGV, onde conheci Marcos Vasconcelos; e a outra, empresarial.
Na década de 70, recebi o filho, Fernando, em São Paulo, e conheci outros amigos, também presentes: na Télémécanique, José Viel; na Villares, Fellipe Huchock; e no Metrô de São Paulo, Plínio Assmann, Isaak Barpal (que veio dos Estados Unidos somente para este encontro - especial obrigado, Itzik), sua sempre dedicada "chefe", Deise e Orpheu Zamboni; em Piracicaba, além de aprender mais uma língua, na Dedini, convivi com Dovílio Ometto Moacyr Seber, Gustavo Alvim, Raul Grandeza Renato Herz; já na década de 80, em Campinas, na GE – General Electric – convivi com Rubens Rezende e Alex Bialer; um pouco antes da década de 90, retornando a São Paulo, dentro da filosofia de que amigo você escolhe, mas vizinho é Deus quem manda, fui presenteado com os amigos, Elias e Pinah.
Após estudos nos Estados Unidos e no Japão e práticas em diversos segmentos, passei a desempenhar a atividade de consultor e, assim, acumulei outros amigos a quem muita prezo: Wagner Barbosa, da Elevadores Kone; Reinaldo Domingos, da Confirp; Vicente Donini, da Marisol; Edmauro Siqueira Campos, da Johnson & Johnson; Reinaldo e Eliana Risk, do Grupo Teatral Toque de Areia; Márcio, Nina Arbex, David e Belkiss Orsi, da Igreja Metodista Central. Aqui em Campos do Jordão, onde tenho minha sede residencial, Dudu – Eduardo Nejar – Alexandre Ferreira Lopes, Leandro e Fernanda; na Educator, o suporte afetuoso de Alexandre, Maísa, Sônia e Rogério; aqui no Orotour, todo o seu pessoal, em particular, a Cristina, Messieur Oswaldô, Maurício, Fernando, Sr. Nelson e Lúcia e todos aqueles que se dedicaram, com empolgação, a esta festa: o Márcio, os grupos de dança e cantores, câmera, fotógrafo e tantos outros.
Muito obrigado a todos. Agradeço imensa-mente este enorme prazer que me proporcionaram com suas presenças e, para que esta emoção não se acabe, queria anunciar que já estão abertas as inscrições para a próxima festa, em 29 de junho de 2005, em Jarinu, onde estamos iniciando um projeto para a construção do ACADEMUS RESORT HOTEL – uma academia do conhecimento – para desenvolver pessoas e profissionais em sua plenitude física, mental e espiritual. Agora é nossa vez de dançar e curtir até o raiar do dia. Informamos que o café da manhã será servido a partir das sete horas.
57-141, Fullmann A Redação de O Con*dor agradece os momentos mágicos maravilhosos vividos em Campos do Jordão e, desde já, confirma a inscrição para a festa de 29 de junho de 2005, em Jarinu. Que Deus o abençoe e guarde, Fullmann.
PESSOA DE MELO
A Plenitude de uma Vida
![]()
Pessoa de Melo na reunião dos 40 anos em BarbacenaJosé Amílcar Tavares Pessoa de Mello nasceu em Recife, Pernambuco, no dia 6 de março de 1940 e faleceu, na mesma cidade, aos 60 anos, deixando um legado de muitas realizações. Ingressou na Aeronáutica em 7 de março de 1957 (Aluno 57-170). No 3º ano da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, solou a aeronave Fokker T-21, no dia 23 de dezembro de 1959, sendo matriculado no Curso de Formação de Oficiais Aviadores da então Escola de Aeronáutica, em 6 de março de 1960 (Cadete-do-Ar 60-016). Desligado no 3º Ano-Aviador, retornou à Escola, para realizar o Curso de Formação de Oficiais Intendentes, vindo a ser declarado Aspirante-a-Oficial em 22 de dezembro de 1964. Classificado em Recife, sua terra natal, revelou-se excelente administrador nas áreas de material e de finanças. Realizou, por conta própria, o curso de Engenharia Civil. No posto de Capitão, decidiu desligar-se da Força Aérea para se dedicar, integralmente, à nova profissão. Tornou-se, assim, um empresário bem sucedido na área de construção civil. A par de seus inúmeros encargos, sempre encontrava tempo para, também, dedicar-se às artes. Apreciador de música clássica, possuía uma coleção de mais de 3000 cds. Na pintura, organizou preciosa pinacoteca. Mas o mais interessante é que sempre manteve o seu senso de humor, notabilizando-se por suas tiradas com sotaque típico de pernambucano.
Lembram-se da figura do aluno de BQ? O jovem com o rosto cheio de espinhas, os dentes separados, os cabelos lisos cortados curtos, espetados, parecendo uma escova? Passava o tempo todo contando piadas em qualquer lugar: no alojamento, após o toque de recolher; no horário de estudo obrigatório; no rancho. Mas era um discípulo muito aplicado, durante as aulas. Conciliava o bom desempenho escolar com o lazer, aproveitando o máximo de sua juventude, aí consideradas as incursões noturnas às cidades de Barbacena, Rio de Janeiro e Recife.
Fato curioso foi, nos Afonsos, ter adestrado, como mascote, uma corujinha, que exibia como usualmente se faz com papagaio. Dizia: "Ela não fala. Mas presta uma atenção..." . Na reunião dos 20 anos da Turma, em Barbacena, apareceu, já paisano, com uma vasta cabeleira muito bem cuidada. Chegando ao alojamento, gritou bem alto: "Vocês se lembram da minha voz? Continua a mesma, mas os meus cabelos estão maravilhosos!" .
Na reunião dos 40 anos, com muito entusiasmo e seriedade, fez a saudação aos companheiros na cerimônia de descerramento da placa comemorativa do evento, como bem ilustra a foto que abre esta coluna. "Passou por aí" foi o título de um texto, de inspiração instantânea, que pronunciou na ocasião e que transcrevemos em parte:
"...A materialização de uma expressão freqüentemente utilizada pelo inesquecível Professor Libarato Bittencourt: Filho, passei por aí e não esqueci!. Somente os homens de alma entendem e se sensibilizam com o passado. Durante quatro décadas, jamais esquecemos, por isso somos fortes, somos unidos, somos ir-mãos... Nossos olhos mostram que ainda temos o brilho de toda a juventude e a vibração de quem começa... Repetia-se um fato raro: um novo renascimento. Hoje temos a responsabilidade de ter olhos e lucidez, quando muitos os perderam. Respeitamos o afeto, mesmo, face à pressão dos tempos. Uma coisa que tem nome é o que somos: Bequeanos de 57. Quem sabe olhar vê; quem sabe ver, repara."
Quanta sensibilidade! E que eloqüência! Amigo, irmão, Pessoa de Mello, você nos deixou sem se despedir... Nosso eterno afeto. Descanse em paz!
Pretendemos colecionar lances e piadas do Pessoa de Melo. Se você se lembra de alguns, faça-os chegar à redação de o Con*dor, para que possamos publicá-los e, assim dividi-los com toda a Turma.
A REDAÇÃO
UM TRISTE DESABAFO A nossa Força Aérea está novamente de luto. Perdemos, hoje, mais um de nossos jovens pilotos. Ainda não sabemos as causas deste acidente aqui, em Fortaleza, com um de nossos aviões de treinamento de caça – um Xavante – sediado no 1º/4º Gav. É triste saber como a nossa FAB se está desmobilizando pela obsolescência. É triste sentirmos que não mais existe preocupação nenhuma com a Segurança Nacional. É triste percebermos que o sentido de Pátria perdeu-se para a maioria dos brasileiros. É triste sentirmos a perda de mais um companheiro jovem, no vigor de sua juventude, cheio de ideais, quando fazia um treinamento militar de combate aéreo (treinamentos desse tipo envolvem sempre um alto risco calculado – só não podemos aceitar é fazê-lo com equipamentos obsoletos e desatualizados), em um equipamento velho e desgastado, oferecendo-se à Pátria, porque acreditava nela. Será que os sentimentos são recíprocos? Somente uma resposta eu desejaria ouvir – sim, a Pátria tem o sentimento de amor, respeito e proteção aos seus filhos, principalmente àqueles que juraram, perante a Bandeira, que a protegeriam até com a própria vida, se assim fosse necessário. Mas os "Governos" que a representam, o que será que pensam?... Depois de quinze anos de desmoralização e de represálias, as Forças Armadas do Brasil também foram violentadas nos seus orçamentos, o que sistematicamente vem acontecendo e que afeta diretamente a sua operacionalidade. É sabido que, quando se quer desmoralizar alguém, tirando-lhe o poder e a vontade, basta apenas subtrair-lhe o dinheiro. É ridículo o orçamento atual, se comparado com o de 1985 (que já era bastante discreto). Se esse vil dinheiro fosse aplicado no social eu calaria a minha boca, mas... E mais ainda, querem, novamente, pôr as Forças Armadas nas ruas, para combater bandidos. O engraçado é que são os mesmos que, de lá, queriam tirá-las na época da chamada "Revolução". Os mesmos bandidos daquela época estão dando um verdadeiro atestado de incompetência governamental. Vivemos um caos social. Corrupção já não surpreende ninguém – é normal. Ética já se foi há muito tempo; riscaram essa palavra do dicionário. Moral, ah!... moral... quem a tem?... Ou melhor, quem sabe o que é isso? É, isso tudo é um desabafo por saber deste triste acidente em que um jovem Oficial-Aviador perdeu sua vida, ainda mais, em troca de valores muito em desuso ultimamente - Pátria, Ética, Moral e Ideal, valores esses que muito admiro e respeito. Será que também são admirados pelos "socialistas de carteirinha"? Agora, como é que fica?... Equipamentos velhos, obsoletos, de difícil manutenção, sem armamento mínimo, digno de uma Nação. Ora, meus caros, é melhor fechar a casa e dar a chave para os americanos... se já não o fizeram... A culpa vai ser da "Revolução"... ainda... depois de quinze anos...
E o tenente morreu!
57-86 Luzardo É, Luzardo. Felizmente, o sentimento é recíproco:
"Sim, a Pátria tem o sentimento de amor, respeito e proteção aos seus filhos, principalmente àqueles que juraram, perante a Bandeira, que a protegeriam até com a própria vida, se assim fosse necessário" .
O que não se pode é confundir aqueles que tomam o Poder para praticar todos os tipos de atos lesivos aos interesses nacionais (como você muito bem expôs no seu segundo desabafo) com a própria Pátria, que deles é tão vítima quanto o Tenente. Infelizmente, muitos brasileiros morrerão, ainda, antes que a consciência nacional acorde para o problema.
A REDAÇÃO
CORRESPONDÊNCIAS
À Equipe de O Con*dor.
Até que enfim, O Con*dor deixou de ser apenas um jornal social e passou a ter uma abordagem Política com "P" maiúsculo. Excelentes os artigos "Proh Pudor" e "Desabafo". Abraços,
Obrigado Pöllhuber. São estímulos iguais a este que mantêm sempre viva a chama de O Con*dor, que esperamos, voe cada vez mais alto. Receba um grande abraço de seus companheiros da redação.
A REDAÇÃO
Prezado Nunes,
Ao pensar nos meus filhos e netos, certamente, e não raro, acomete-me o mesmo sentimento de revolta de que você está possuído. Já imaginei fórmulas em que, alcançado determinado índice, a pena capital seria automaticamente aplicada. Todavia, como bem diz nosso Editor, o assunto merece grande e profunda reflexão. Normalmente bradamos em alto e bom som nossa repulsa contra o "pé de chinelo" que nos espreita nas esquinas das ruas da vida e nos calamos em relação ao "colarinho branco" que financia a arma e o tóxico; que defrauda o orçamento; rouba merenda escolar; desvia recursos da saúde pública, da previdência e uma série de delitos intermináveis. É estarrecedor o quadro com que nos defrontamos em todos os níveis de governo e independente de "partidos": um legislativo venal e um executivo comprometido com "acordos" que permeiam do amoral ao imoral, tudo isso tendo, a reboque, o Judiciário que, não satisfeito em aplicar a Lei, em conformidade com o poder econômico das partes, diante de tanta impunidade, também resolveu atacar diretamente os recursos públicos. A bem da verdade, não podemos esquecer que até as nossas Forças Armadas já acusaram algum golpe nessa luta incessante contra as mazelas que nos assolam.
Meu querido Nunes, a Sociedade está doente; está carente de Deus. Concordo com você quando diz que, de alguma forma, precisamos mobilizar-nos. Conte comigo. Vamos tentar contribuir para um mundo menos perverso, mais humano. Mas agora, deixe-me refrigerar a alma. Pensando nas minhas netas, apossei-me de uma idéia do poeta José Nelson e arrisquei-me a escrever para elas.
Um abraço amigo,
57-139, Elson CORAÇÃO BATE APRESSADOCoração bate apressado,
a emoção me domina,
diante de mim eu vejo
a criatura mais linda,
minha doce CAROLINA.A emoção se renova,
Coração de novo se dispara,
Chegou mais uma menina,
Louvo a DEUS por você,
Minha querida LARA.Carolara, Laralina
Razão do meu viver,
Donas do meu querer.
Fica esta simples mensagem
Para quando o tempo passar,
Possam do vovô lembrar.
abril/2000
Élson
Prezado Brasil
Tive o prazer de almoçar com o 56-137, Clarindo, que me contemplou com a edição nº 3- Mai-Jun/2000 do famoso O Con*dor. O Con*dor já era meu velho conhecido, pois todo mês visitava esta belíssima página para lê-lo. Agora, ao vê-lo em papel, fiquei realmente maravilhado e só tenho um comentário a fazer: é um exemplo a ser seguido! Parabéns à Turma Quase Perfeita por ter um jornal Mais Que Perfeito!
Abraços,
70-143, Pamplona Obrigado, Pamplona.
Já lemos os jornais da sua Turma de 70 e achamos, também, que são muito bons. O nosso esforço na melhoria da qualidade, do conteúdo e da impressão deve-se à importância que damos a O Con*dor como traço de união entre nós mesmos e entre nós e sociedade. Um abraço de todos nós.
57-18, Brasil
Prezado Editor.
Quanta emoção no último número do Con*dor. A despedida festiva do João Carlos (não pude curtir muito o churrasco, pois, mal cheguei, tive de sair porque iria nascer a minha nova netinha); e a partida sentida do nosso querido Bloise! (Sugiro seja enviado um exemplar do Con*dor para sua viúva e seus filhos. Mas esta é a vida: vitórias e perdas; nascimento e morte. Em tudo, seja feita a vontade do Pai.
57-139, Elson Boa sugestão, Elson. O exemplar foi enviado. Parabéns pela netinha.
A REDAÇÃO. Prezado Brandão,
Acabei de ler o teu carinhoso depoimento LEMBRANÇA DO BAIANO dedicado ao nosso querido "Baiano", publicado no "O Con*dor". Meus parabéns. Tu me fizeste recordar da "formidável" convivência que tive com ele, diferente da tua, mas, igualmente, inesquecível. Depois das tuas palavras, fico pensando no significado da nossa última conversa. Ela aconteceu, não sei se no início deste ano ou no final do ano passado. Recebi um telefonema dele na casa do Comandante do IV COMAR, onde eu morava. Não nos falávamos desde o período em que ele, servindo na DEPV, havia sido internado no Dr. Eiras, aí, no Rio, com um sério problema de saúde. Nossa última conversa foi um retorno aos velhos tempos de "laranjeiras" e de estagiários em Fortaleza, cheia de palavrões e muita amizade. E o papo durou tanto que, a partir de um certo instante, acabei somente preocupado com o custo que ele teria com aquele DDD. Apressei a despedida e ficamos com a promessa de nos encontrarmos quando eu fosse a Porto Alegre. Hoje, Ivan, convivo com um enorme sentimento de perda por esse encontro não ter acontecido. Parabéns, uma vez mais, pelo teu artigo. Que Deus te mantenha sempre com tais inspiração e sensibilidade.
57-12, Manoel Carlos O Brandão, temos certeza, está emocionado e feliz com as palavras carinhosas dos companheiros Ivan e Manoel.
A REDAÇÃO.
Caro Luís Mauro,
O Con*dor chegou, por aqui, em uniforme de gala, mas, principalmente, carregado com as tuas invejáveis generosidade e sensibilidade, manifestadas no "Editorial" de abertura, e com as tuas reconhecidas capacidades de reflexão e de crítica, credenciais do genial "PROH PUDOR! De Política e Promoções". Muito obrigado pelas tuas palavras. As manifestações de carinho dos amigos têm-se constituído na face boa de todo esse episódio que, em maior ou menor grau, afetou-nos e que, como você, tão bem, caracterizou, tendem a abalar a nossa crença em uma Força Aérea livre das agendas ocultas e dos conchavos . Fortes e fraternais abraços, meus e da Sônia.
57-12, Manoel Carlos Prezado Manoel.
Os textos citados nada mais são do que o reconhecimento de uma realidade que você contruíu ao longo de uma vida e uma carreira irrepreensíveis. Generosidade e sensibilidade, sim, houve, mas estão nas suas palavras, que recebemos como um carinhoso estímulo a todos nós que cooperamos com O Con*dor. Quanto à FAB livre de conchavos e agendas ocultas, lamentavelmente, os últimos acontecimentos não indicam essa tendência.
Um forte abraço,
57-04, Luís Mauro
CARTA DO FLÁVIO Pindamonhangaba, 08 de Agosto de 2000.
Prezado amigo 57-55, Amorim.
O menino que, em 1957, ingressou na EPCAR, em Barbacena, creio não ter amadurecido como todos os outros, pois foi esta a sensação que tive ao receber os exemplares do O Con*dor e a fotografia ampliada dos companheiros, no último ano em Barbacena, 1958. A fotografia é o elo inicial de uma história e o jornal O Con*dor é a representação e a demonstração do fim. Digo do fim, pois que, em sua maioria, os alunos da foto já estão na Reserva, após terem galgado os mais altos degraus de suas carreiras com méritos e louvores, e os que não permaneceram na carreira, como eu, creio, também já se estão aposentando. Recebi estas duas pontas de uma só vez, e o espaço de tempo que as separa é tempo demais, e, por ter-me afastado e nunca ter tido o menor contato com qualquer das pessoas que aparecem na foto, comecei a procurar, com avidez, as fisionomias de todos os companheiros daquela época. Só que a minha cabeça, nesse momento, não permitiu que nenhum deles envelhecesse como eu, e ao procurar as informações na noutra ponta, senti ao mesmo tempo as surpresas, alegrias, emoções e o choque profundo ao saber daqueles que já se foram e fizeram a passagem.
Para mim, não foi o homem adulto, já realizado, que partiu, mas o menino cheio de sonhos que nos deixou, uma vez que não mais usufruí do prazer de suas companhias ao longo de todos estes anos. Embora já tenha recebido sua correspondência há dois meses, não tinha tido, ainda, a coragem de escrever para agradecer esse contato, nem, tampouco, a coragem para participar da reunião das 3as terças-feiras, no Clube de Aeronáutica, porque, como disse já no começo, com tantas lembranças, embora o tempo tenha passado, covardemente, deixo-me tomar por uma sensação de que não amadureci e rejeito a idéia de sabê-los todos tão idosos como eu. E é, ainda, com um nó na garganta, emocionado por ter sido lembrado e com um grande desconforto no meu peito, oriundo da mistura de todas as emoções de alegria, de ufanismo, de saudade, de orgulho e de tristeza pela perda dos que se foram, que lhe escrevo. Oxalá nosso bom PAI continue a me dar forças e saúde para poder agendar essa "Cervejinha", uma vez por mês, com todos vocês. Ainda emocionado, despeço-me com um grande abraço,
57-146, Flávio.
FESTA DE N. S. ACHIROPITA
![]()
Alegre descontração para uma fotografia e...A cada ano, cresce o número de companheiros que comparecem à Festa de Nossa Senhora Achiropita. No dia dezenove de agosto, trinta e duas pessoas, entre integrantes da Quase Perfeita e de suas famílias, foram à festa religiosa, onde todos puderam divertir-se em um saudável ambiente familiar e, ainda, contribuir para as ações de caridade da Igreja. Era contagiante a alegria das esposas, dos filhos e dos netos. Dentro da tradição de convivência ecumênica da Turma, compareceram, além dos católicos, pessoas de várias orientações religiosas, que ficaram encantadas com a hospitalidade dos organizadores do evento.
![]()
... grande concentraçãp para a escolha das iguarias.Mas, para aqueles que não puderam participar, uma boa notícia: a Festa de Nossa Senhora Achiropita já entrou definitivamente para o nosso calendário de encontros. No próximo ano, todos teremos nova oportunidade de visitar os companheiros paulistas e de, com eles, participar desta maravilhosa festa religiosa, onde se pode comer, beber, cantar, dançar, divertir-se, em ambiente seguro e fraternal.
![]()
A felicidade está estampada nas faces e nos abdomensNa festa deste ano, um dos mais felizes era o Flávio, o 57-146, que também levou o filho. Lembram-se do Flávio? Foi, recentemente, localizado pelo Amorim e escreveu a carta publicada, mais acima nesta edição, em "Correspondências". Os dois, ele e o filho, integraram-se, como se nunca, de nós, se tivessem afastado, por obra do destino.
![]()
Mais felicidade e mais abdomensTambém muito feliz estava o Sucupira, que, há anos, vem levando companheiros à Festa e tem sido um de seus incansáveis divulgadores, além de ser o organizador das nossas atividades em São Paulo, atividades que, como sempre, transcorreram sem falhas. Em 2001, esperamos que o comparecimento seja, ainda, mais expressivo. Temos, quase, um ano para os preparativos.
Que Deus nos ajude e que estejamos todos lá, no ano que vem!
A REDAÇÃO
O CON*DOR
O Con*dor é uma publicação sem fins lucrativos, destinada à divulgação de assuntos de interesse da Turma 57-BQ/Aspirantes 62, a Turma Quase Perfeita. Está, porém, aberto a companheiros de outras turmas que, com ele, queiram colaborar. É editado, bimestralmente, sob a responsabilidade da Representação da Turma.Coordenação Geral:
Al. 57-40, João Carlos
Conselho Editorial:
Al. 57-09, Pontes
Al. 57-78, Horta
Al. 57-129, Meira
Al. 57-139, Elson
Al. 57-161, Amado
Al. 58-258, Cubas
Al. 58-276, Ivan
Editores:
Al. 57-04, Luís Mauro
Al. 57-15, Neves
Jornalista Responsável:
Carlos Rogério C. Baptista
Nº 17.997/94
Produção:
Editora Luzes: (21) 447-4336
Redação:
(21) 247-4336
E-mail:
o.con-dor@uol.com.br
Homepage:
57bq.cjb.net
Webmaster:
Al. 57-18 Brasil
![]()