CADETE SUCUPIRA

Sessenta Anos de Intensa Vibração


Homenagem ao aniversariante Sucupira no Clube de Aeronáutica

O Cadete George William César de Araripe Sucupira completou os sessenta anos de idade neste dia 23 de outubro, o Dia do Aviador. Que outro dia poderia ele ter escolhido para nascer? Em comemoração, os cariocas prestaram-lhe singela homenagem no Clube de Aeronáutica, oferecendo uma miniatura do espadim, símbolo da Honra Militar. A saudação, em nome da Turma, foi feita pelo 58-276, Ivan e o espadim entregue pelo 56-86, José Nelson. Finalmente o jovem George William reecontrou-se com o seu merecido espadim, para nós, além de símbolo da Honra Militar, também, símbolo da vibração e do "gepesismo". Muito emocionado, o nosso homenageado descontrolou-se e, em um momento de generosa privação dos sentidos, ofereceu o uísque para a Festa de fim de ano da nossa Turma, também no Clube de Aeronáutica.


Um "zoom" na comemoração

Como todos sabem, brevê de aviador ele já possui há muitos anos, registrando em sua caderneta significativa marca em hora de vôo. Mas, não satisfeito com as suas conquistas aéreas, acaba de tornar-se piloto de helicópteros para comandar o novo "brinquedinho" que acaba de se dar como presente: um helicópero!


O brinquedinho do "Sucupa" no aeroclube de Maricá

E a história não termina aí: o Sucupira realmente se preparou para a chegada do novo milênio. Para iniciar o Ano Novo de avião novo, trocou o seu Magafo (PT-MGF) por outro Cessna Push-Pull novinho em folha, o PT-JAY, conhecido pelo sugestivo nome de Morcego Negro. Mas o estimado colega, mais uma vez demonstrando a sua sensibilidade e o seu amor pela Turma, deu-lhe novo nome: O Con*dor (poderia ser outro?).


O GP do Sucupira, imortalizado ao lado de seu avião "O Con*dor"

Aliás, trocar não é bem o termo, já que o Magafo continua estacionado em seu hangar, no Condomínio El Dorado, em Atibaia, São Paulo, enquanto não decide que destino lhe dar.


O "Magafo" em vôo e no solo

O Dr. Sucupira, respeitado advogado com banca na Capital de São Paulo, pertence a tradicional família paulista, cujos valores cultua e pratica com entusiasmo. Ao lado, temos a cópia de um documento histórico sobre integrantes ilustres de sua árvore genealógica, que pode demorar um pouco para abrir nesta edição de Internet, mas vale a pena esperar.


Documento histórico sobres os ilustres ancestrais do Sucupira

E há mais, além de aviador e advogado, ele ainda encontra tempo para ser fazendeiro e criador de cavalos de corrida. O Sucupira é, ainda, o organizador das atividades da Turma em São Paulo e o grande responsável pela inserção da festa de N. S. Achiropita no nosso calendário de eventos. Tudo isso sem descurar de sua exemplar família: a esposa Maria Tereza, os filhos Pedro Henrique, Paulo Roberto, Maria Cláudia, Maria Cristina e Maria Cecília, e os netos, João Paulo e Bianca. Em dezembro, casa a filha Ana Cláudia, para quem preparou uma festa inesquecível. Para alguns, o tempo não parece ser uma limitação séria! E mais ainda, no seu hangar, no El Dorado, tremula, todos os dias, a Bandeira do Brasil. Esse é o nosso Sucupa!


DOMINGO DE FESTA

no Destacamento Precursor da Escola de Aeronáutica


Quem foi instrutor de vôo na Academiada Força Aérea, principalmente, na ocasião em que a instrução ainda era ministrada em aeronaves NA-T6, e isto ocorreu no período compreendido entre 1964 e 1968 (inclusive), quando aquela Unidade era denominada Destacamento Precursor da Escola de Aeronáutica (DPEAer), com certeza, vai lembrar-se de algumas histórias e contá-las para O CON*DOR divulgar para os seus milhares de leitores. Lá vai uma delas: Em todo lugar do Mundo, o domingo é dia de descanso, menos para o instrutor naquele período citado acima, quando o final de semana era dedicado, como parte da instrução de vôo, às viagens solo dos cadetes. Como no nosso tempo, também havia um instrutor para controlar os pousos e decolagens dos aviões em determinadas localidades. No dia 2 de outubro de 1966, um sábado, adivinhem quem estava de controlador, em Uberaba (MG)! Quem? Quem? Quem?... Acertou quem apostou no Ten.-Av. Ivan (naquela ocasião com um pouco mais de cabelo). Prancheta na mão, caneta, relógio aferindo o tempo, em contato direto com a Sala de Tráfego, tudo como previsto no "brieffing". Parecia que eu estava num paraíso e, além disso, ainda iria "descolar" as diárias correspondentes aos dois pernoites (de sexta a domingo) - Beleza pura, até porque, a viagem tinha apenas o seguinte percurso: Pirassununga (SBYS), Uberaba (SBUR) e Pirassununga, novamente. Tudo permaneceu normal durante quase todo o sábado: Cadete pousando; Cadete fazendo plano de vôo; Cadete decolando de regresso ao DPEAer; e o Ten. Ivan informando todos esses dados ao coordenador da missão em Pirassununga. Até que o T6-1559 não pousou na hora prevista e nem no tempo estipulado pelo Oficial de Operações para que uma aeronave, naquele tipo de instrução, fosse considerada perdida. A partir daí as coisas se passaram de acordo com o estabelecido. Um instrutor decolou de Pirassununga com destino a Uberaba, fazendo o mesmo percurso que o Cadete deveria ter feito, além de procurar, também, naquelas localidades, onde já eram hábito os pousos em situações similares. Como o pôr-do-sol já estava próximo, nada mais havia a fazer, a não ser aguardar os acontecimentos, o que não demorou muito a ocorrer. O Cadete, muito padronizado, fez exatamente o que estava previsto. Como o tempo para chegar ao destino já se havia esgotado, ele começou a fazer uma procura, dentro dos procedimentos que lhe haviam ensinado. Tudo inútil, o tempo inexoravelmente passando, o pôr-do-sol chegando e o combustível, no limite. Sabiamente, tomou a decisão correta e pousou na primeira cidade com campo de pouso que encontrou. Claro, sem se afastar do Rio Grande, na divisa de São Paulo com Minas Gerais.

A partir daí, continuou dentro da padronização e, depois de muitas tentativas, conseguiu comunicar-se com o DPEAer, informando o seu paradeiro. Nessas ocasiões, o responsável pelo resgate do Cadete perdido era o instrutor controlador, a não ser se houvesse alguma ordem em contrário. No caso em questão, não houve dúvidas, e, já naquela noite de sábado, providenciei a navegação e o combustível extra, que, colocado num recipiente, foi amarrado na nacele traseira do meu T6-G e que seria utilizado para reabastecer a aeronave, naquele momento, não mais perdida. No domingo pela manhã, depois dos procedimentos normais, como plano de vôo, cheque externo e aquela reza que nunca desprezo, decolei em direção ao nosso destino. Com muita cautela, seguimos atentos à navegação, e, após 45 minutos de vôo, avistamos, com muita alegria, a pequena ITAPAGIPE (MG). Sim, esta foi a simpática cidade que acolheu o nosso Cadete. Não foi difícil identificar a cidade, porque, ao sobrevoarmos o aeródromo, lá estava ele, o nosso procurado, cercado de dezenas de nativos (as), ao lado do seu T6, com aquele macacão azul inconfundível, conversando com todos, gesticulando e apontando para o nosso avião. Sem dúvida, foi um dia de festa para a população de Itapagipe que, durante uma tarde, uma noite e uma manhã, teve um herói para saudar. O problema, desse momento em diante, passou a ser meu, que teria como missão levar, com segurança, o Cadete para casa. Desci abaixo da altitude de tráfego para verificar as reais condições do aeródromo e cheguei à conclusão de que, naquela pista, o meu T6-G não pousaria. Todavia, o Cadete lá estava, todo prosa, com a certeza de que eu iria resgatá-lo, e, sobretudo, já teria contado maravilhas sobre as qualidades dos instrutores de vôo do DPEAer. Além de pequena, desnivelada e estreita, a pista só tinha um sentido de pouso, pois, em uma das cabeceiras, havia espetacular floresta de eucaliptos. Não houve jeito. Após respirar fundo, lá fomos nós para o pouso que, em condições normais, jamais tentaríamos. Mesmo com todos os cuidados, não houve alternativa, e, como, manda a experiência (em caso de dúvida arremeta!), arremetemos, passando, raspando nos eucaliptos. Fizemos mais algumas passagens ao redor da pista e finalmente pousamos naquele local onde, com certeza, o Cadete pousara sem maiores dificuldades. O nosso piloto herói era todo sorrisos de alegria e sempre solícito com aqueles que o cercavam. Após o abastecimento com o combustível que levamos, as despedidas, os agradecimentos pela acolhida e um "brieffing" sobre como faríamos a decolagem, deixamos aquela simpática cidade com destino a Uberaba e depois a Pirassununga. Nenhum piloto, em condições normais pousaria numa pista com aquelas dimensões e características, a não ser para socorrer um Cadete que lá pousara em emergência, após realizar todos os procedimentos que lhe foram ministrados e que tinha certeza de que um de nós iria resgatá-lo na manhã daquele domingo. Todas as vezes que recordamos este fato, eu e o meu grande amigo, o hoje Maj.-Brig.-do-Ar Sarmento, divertimo-nos bastante, sempre, com rara emoção.

58-279, Ivan Pereira

A Academia não vem considerando, para efeito de seu livro histórico, aquele espaço de tempo de instrução de 1964 a 1968, já em Pirassununga. Na relação dos instrutores que passaram pela AFA, não constam os nomes dos abnegados do DPEAer que, em verdade, foram os responsáveis pela formação dos Aspirantes a Oficial Aviador naquele período, alguns dos quais são hoje Majores-Brigadeiros-do-Ar. Este é um assunto que merece ser tratado com mais atenção. Gostaríamos que o nosso companheiro Ivan voltasse ao tema, em outra oportunidade.

A REDAÇÃO


CORRESPONDÊNCIAS

CARTA ABERTA AO GAÚCHO LUIZ RIBEIRO


Caro amigo.

Um dia, eu tinha certeza, nós nos veríamos de novo. Não fosse a saudade da idade, de um tempo, de um som, de um tom, seria a insistência desta minha meia alma pampa e teatina, que me faz pensar em gauchês. Assim foi que, noutro dia, ao ouvir os primeiros compassos de Chega de Saudade, esta primeira pedra do monumento nacional que é a Bossa Nova, iniciei uma viagem na rota das lembranças. O macacão era ainda azul. Na velha maleta com fecho quebrado, a calça jeans, a camisa banlon grená com fio puxado e o mocacim preto. A caixa de lanche teria de durar o dia inteiro, a grana era curta e o caminho, longo. No corpo, a energia do jovem; no coração, o desejo de chegar logo. `

Pousamos ao entardecer, após tão longas etapas quanto permitiam os tanques a pleno e a mistura no bolso. Estava apressado, era dia de viola. Após o banho, imploro uma carona e chego ainda em tempo de sentar-me estrategicamente para, de soslaio, colar do mestre Luiz Ribeiro (57-151) o acorde mais complicado... Então, eu te vi de novo! Dadivoso em tuas notas, elegante com o pinho, cujo braço, entretanto, não hesitava em apontar para o desafinado recalcitrante e, com um sorriso doce e um arpejo mais forte, trazê-lo de volta à melodia, mais pela orelha do que pelo ouvido. As pontas dos dedos, verdes, lixavam o azinhavre que renascia dos prolongados namoros das brisas salgadas com os bordões de cobre. Ao teu lado, a enciclopédia da Bossa Nova, o mestre Ivan, Sir Olive (58-276), que não aturava senão dez segundos de lá-rá-lá-lá, intervinha com seu canto baritonado, trazendo a letra correta, no verso certo. E a noite seguiu linda. A viola cantou seus amores, suas desditas, acalentou esperanças, gozou de leve os amigos, pegou forte os desafetos. No meu sonho, o amanhecer revelava os primeiros contornos da Redinha, quando o fim do último CD de Bossa Nova trouxe o silêncio e a realidade. Lembrei-me de toda a Turma e me dei conta que a Quase Perfeita é um grande arquipélago, banhado por Água de Beber, Nós e o Mar, Wave e um verdadeiro oceano musical, onde um dia nadamos todos nós, ilhéus de variadas origens e com diferentes destinos. Mas, falar de música para o Arquipélago, Só Tinha Que Ser com Você, senhor de livre trânsito pelas ilhas, a navegar com a viola em seu Barquinho; Você, que freqüentava o Corcovado, sem perder a simplicidade; você, nosso embaixador num capítulo de muita Discussão e um Errinho à Toa. Amigo velho, Se é Tarde, me Perdoa. Ah! Quem me dera, A felicidade de Outra Vez ver Você e Eu a cantar este Rio, num Samba de Verão.
A Saudade Fez um Samba em seu Lugar.

Cad. 60-110, Zilson

P. S.: Segue junto uma fita com as mais cantadas do Arquipélago, Luiz.


MALUCO-BELEZA STRIKES AGAIN!

Aeronáutica, Eu Te Amo!
(Um Artigo Modular)


Aeronáutica, eu te amo! Lilico, você me falou que, às vezes, sobram e, às vezes, faltam alguns espaços no Con*dor, e que, por isso, você tem dificuldade ao fazer a diagramação do nosso informativo, e que, sendo assim, é comum você ter de "cortar" trechos das colaborações que recebe, e que as pessoas, muitas vezes, ficam até zangadas com você e dizem que seus escritos foram "multilados", digo, mutilados. No meu caso, eu não me incomodo, e, se você quiser, pode encerrar a minha colaboração aqui! É só colocar o meu nome e o meu número do telefone, digo, de BQano, embaixo: Aluno 57-42, Padrão, da Terceira Esquadrilha...

Assim, resolvi, então, escrever um artigo modular: Aeronáutica, Eu te Amo. O Lilico adora artigos modulares. Para entrar no Condor, é claro. Mas... O que seriam artigos modulares? Hoje em dia, já existem muitas coisas que foram "modularizadas", por assim dizer: os móveis modulares são os mais populares; os eletrodomésticos modernos podem ser interligados de uma forma quase infinita! Quando eu comecei a trabalhar em computadores, eles eram blocos rígidos, imutáveis, quase que "empedrados"! Agora, a memória é uma parte, a impressora é outra, o vídeo é outro, o pro-cessador central pode ser outro etc., etc., etc. Se quisermos, poderemos comprar o vídeo de uma marca ou fábrica e a impressora de outra, por exemplo! Já existem "softwares" para compatibilizar tudo isto! E muitas outras coisas, além do que nós possamos imaginar! Por isso, resolvi escrever um "artigo modular", meu caro amigo 57-04, vulgo Lilico! Se você quiser usar este artigo como tapa-buraco e quiser usá-lo somente até aqui, pode fazê-lo! Basta colocar, em baixo, o meu nome e o meu número do CPF, digo, o meu número de BQano: Aluno 57-42, Padrão, da Terceira Esquadrilha.

Aeronáutica, eu te amo! Mas... Afinal, por que eu amo a Aeronáutica? Perguntarão vocês! Eu amo a Aeronáutica porque, quando minha mãe se separou do meu pai, foi trabalhar no Hospital Central da Aeronáu-tica (eu tinha nove anos, era 1949). Ela falou com o Brigadeiro-Médico Ed-gard Corrêa de Mello (irmão do Mello Maluco), e ele concedeu que eu almoçasse e jantasse no Hospital da Aeronáutica, no rancho dos funcionários públicos. Praticamente, eu fui criado lá dentro, de 1949 a 1956! Dos nove aos dezesseis anos, ou seja, dos 32 anos, até os 42 anos!- Triangulo de Pitágoras! Em 1957, passei para a EPCAR. Lilico, 57-04, se você quiser, pode cortar o meu artigo modular aqui. Eu juro que não ficarei zangado. É só escrever, em baixo: Aluno 57-42, Padrão, da Terceira Esquadrilha.

O Lilico adora artigos modulares! Eu amo a Aeronáutica! Mas... Por que eu amo a Aeronáutica? Perguntarão vocês! Meu pai serviu ao Exército. Em 1937, "engasgou", digo, engajou. Fez curso de sargento e tornou-se um militar brilhante (um tanto quanto quadrado, pois não existe militar que não seja "enquadrado", digo, quadrado!). Mas, modéstia à parte, meu pai tinha qualidades brilhantes: basta dizer que entre seus "hobbies", ele foi astrônomo-amador! É mole? Ele foi para a Comissão de Fronteiras e ajudou a implantar os marcos que separam o Brasil do Uruguai, da Argentina, do Paraguai, da Bolívia e "do peru", quero dizer, do Peru! Voltou para o Rio de Janeiro, conheceu a minha mãe e casou-se com ela. Eu nasci em 1940 e, em 1942, meu pai optou pela Aeronáutica, tornando-se um de seus fundadores! Na minha casa, desde que eu me conheci por gente, havia asinhas da Aeronáutica por todos os lados! Meu pai foi amigo de muitos pilotos que traziam, para ele, muitas lembranças dos Estados-Unidos. Eram daquelas coisinhas que os americanos faziam e que ninguém mais fazia na época (década de 1940). Eu morava em Realengo, e os aviões de treinamento dos Afonsos, muitas vezes, passavam por lá, fazendo "piruletas", como eu dizia naquela época (o povo da roça chamava acrobacia de pirueta). Lilico, meu querido amigo, se você quiser, pode cortar o meu artigo por aqui! Eu juro, eu prometo, de mãos e pés juntos, que eu não ficarei zangado, que não ficarei aborrecido, que vou compreender! Afinal de contas você me explicou, com muita classe e educação, e com muita paciência, como é difícil e complicado fazer a diagramação de um jornal, ou de um informativo, como o nosso querido O Con*dor. Como é complicado enquadrar os nossos escritos nos espaços do jornal! Sei que você tem pouco espaço para tantas matérias etc., etc., etc... Coitado do Lilico, que trabalhão! O Lilico é "tarado" por artigos modulares! Aliás, Lilico, 57-04, a vida é muito interessante! Você que tinha tanto espaço no céu, para voar com seus F-4, F-5, F-6,...F-n, sei lá...poxa! Quem diria que você, que sempre teve tanto espaço à sua mercê, iria lidar com tanta falta de espaço no Con*dor! Conforme diz aquela fábula de La Fontaine, isso prova que "todo F-4 tem seu dia de condor" ... É mole? Ou será que a fábula era de Monteiro Lobato? Ou seria de Æsopo? Basta, então, meu caríssimo e adorado amigo Lilico, escrever em baixo: Aeronáutica, eu te amo! Mas... Por que eu amo a Aeronáutica? Perguntarão vocês! Meu pai levava livros, folhetos, revistas e outras publicações da Aeronáutica para casa. Minha mãe me contava histórias do Mello-Maluco, do Santos-Dumont e, até, de um piloto que ela namorou antes de conhecer meu pai (é mole?). Todos os caminhos pareciam apontar para a Aeronáutica! De vez em quando, eu via passar um enorme dirigível que chamavam de Zepelim (era alemão!) por sobre Realengo, bem na direção da minha casa! Lilico (Lilico era o apelido do 57-04), se você quiser, pode cortar o meu artigo por aqui. Eu juro que não ficarei zangado! Eu compreendo perfeitamente as dificuldades que você tem para diagramar O Con*dor. É mais fácil a gente enquadrar o Lilico do que o Lilico enquadrar os nossos artigos no Con*dor. É só escrever, em baixo, o número do chassi do meu aparelho de televisão, digo, o meu número de BQano e o meu nome de guerra: Aluno 57-42, Padrão, da Terceira Esquadrilha!

Pobre Lilico, que trabalho chato e difícil! O Lilico é "fissurado" por artigos modulares! Aeronáutica, eu te amo! Eu quero contar a vocês todas as razões pelas quais eu amo a Aeronáutica! São muitas, muitas, muitas e muitas mesmo! Mas o chato do Lilico resolveu cortar o meu artigo por aqui! O Lilico é um cara discriminatório, preconceituoso e antipático! Ele me pede tanto para escrever um artigo para o Con*dor, e, quando eu o faço, ele faz isso com o meu artigo! Mutilou o meu artigo todo. Aquilo lá deve ser uma panelinha! Se o artigo fosse dele ou de um amiguinho dele, ele publicava na integra! Ou, então, se fosse de um Brigadeiro de cinco estrelas, daqueles que só se hospedam em hotéis idem, também publicava! Aliás, se eu tivesse seguido a carreira e hoje fosse o Comandante da Aeronáutica, eu ressuscitava o CAN e nomeava o Lilico para calcular as cargas dos aviões cargueiros! Só de castigo! E, ainda por cima, botava o 57-40, o João Carlos, para dar "bronca" nele todos os dias! O 57-40 é o maior "bronquinha" da nossa turma! Desde 1957, ainda aluno, que ele dava as "broncas" dele na gente. Ele é o que se pode chamar de um comandante "xato", digo, nato! Dá "bronca" até na própria sombra! Dizem que, um dia, um daqueles dias quentes de verão, ele ia saindo do quartel, quando notou que a sua sombra o estava seguindo! Imediatamente, virou-se para ela e esbravejou: "Por que é que você tá me seguindo? Pare de me seguir, pôôô!!!" . A sombra, de pronto, se assustou, estremeceu e desapareceu! Muitos, desde então, passaram a pensar que ele era um vampiro, pois vampiro não tem sombra... Mas a verdadeira razão foi essa: até a sombra do João Carlos tinha medo das "broncas" dele! Aeronáutica, eu te amo! As razões que eu tenho para amar a Aeronáutica são tantas que por mais que eu quisesse, não caberiam em um só artigo do Con*dor. Cada um de vocês, da Turma Quase Perfeita, mesmo os pára-quedistas, que não tive a oportunidade de conhecer naquela época, é uma razão para eu amar a Aeronáutica. Que Turma maravilhosa é a nossa! Eu, na verdade, teria de escrever um livro para que vocês pudessem tomar conhecimento de todos os fatos da minha vida que me ligaram à Aeronáutica! Mas eu acabei sendo um paisano, analista de sistemas e programador de computador! Seria destino? Será que existe destino? Nós nunca saberemos! E, afinal de contas, o Lilico e o Joãozinho Quarenta são caras superlegais! Eles são duas razões que me fazem amar, ainda mais, a Aeronáutica! Eles não têm culpa de O Con*dor ter tão pouco espaço para tanto amor que eu tenho por vocês. E vocês tenham certeza disto: tenho vocês em meu coração. Colaborem vocês, também, com O Con*dor e não fiquem zangados se o Lilico tiver de cortar um pedaço dos seus artigos! Aeronáutica, eu te amo! Eu amo a Aeronáutica! Aluno 57-42, Padrão, da Terceira Esquadrilha!

Atenção, Lilico! Aqui, o meu artigo acabou mesmo! Se você o publicar na íntegra, eu agradecerei. O Lilico é um cara sensacional, bacana e maravilhoso! Isto é, se ele tiver publicado o meu artigo na íntegra! É mole???

Aluno 57-42, Padrão,
da Terceira Esquadrilha.

Está bem, Padrão, você venceu! Acabei o seu artigo acabou aqui! Brincadeirinha, Padrão. Para desespero de alguns leitores e deleite de outros, o seu artigo está sendo publicado (quase...) na íntegra.

57-04, Luís Mauro


FIAT VOLUNTAS TUA

Deus me negou a habilidade para expressar os meus sentimentos pela música, mas me permitiu captar toda a beleza que existe nas manifestações musicais de outras pessoas; Deus, também, me negou ser um artista plástico, mas me deu perceber toda a magnífica beleza das formas trabalhadas por terceiros; Deus me negou, ainda, a rima e a métrica, mas me brindou com a capacidade de expressar, em prosa, tudo aquilo que penso e sinto; Deus me fez descoordenado e sem quaisquer dotes atléticos, mas me garantiu habilidade suficiente para pilotar aviões em uma época em que eles ainda não eram pilotados por computadores, franqueando-me, assim, o instrumento de expressão artística que me faltava; Deus me tirou o pai prematuramente (quanta falta ainda me faz), mas deixou comigo a minha mãe, que tanto conforto sempre me deu; Deus não me deu a mulher que eu quis, mas me deu uma família maravilhosa, solidária, unida; Deus me deu vocação para líder, sem que me desse o carisma indispensável para sustentar a liderança. Compensou-me, porém, com uma extraordinária capacidade de recuperação das situações adversas decorrentes dessa carência. Em 1957, sem nada tirar ou negar, já me havia dado a graça maior de entrar para a Aeronáutica e pertencer à Turma 57-BQ / Aspirantes 62, que muitas alegrias sempre me deu e continua dando, até hoje. Há três semanas, subtraiu-me o Melchi, grande amigo de infância (um irmão que não tive) do qual o destino me havia separado faz trinta anos, mas, antes, garantiu o reencontro e uma riquíssima convivência de quatro anos, que recuperou todos aqueles que havíamos perdido. Finalmente, hoje, Ele levou a minha mãe, e eu não consigo imaginar o que me possa ser dado que atenue os efeitos da perda... Mas já não busco compensações impossíveis. Estou plenamente satisfeito com o que tenho e aceito, com resignação, tudo aquilo que não tive ou perdi. Recebi muito mais do que necessitava, e as perdas fazem-me ver o quanto vale tudo aquilo que ainda tenho. Por isso, sou extremante agradecido por todos os momentos que vivi e por todos aqueles que espero viver ainda.

57-04, Luís Mauro


COMANDANTE MELCHI
Seu último vôo


Melchi, à esquerda, em reunião da Turma

O nosso querido compaheiro Melchisedeck Ramos Amado ingressou na Aeronáutica em 7 de março de 1957, sendo matriculado na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, sob o número 57-161. Declarado Aspirante-a-Oficial-Aviador em 14 de dezembro de 1963, tornou-se um de seus destacados pilotos, tendo voado por muitos anos na região amazônica, onde se destinguiu entre pilotos cujas ações rotineiras confundiam-se com bravuras e heroísmos diários. Depois de prestar relevantes serviços ao extinto Projeto Rondon e ao Exército Brasileiro (foi piloto pioneiro do 5º Batalhão de Engenharia de Construção, em Porto Velho), desligou-se da Força Aérea, em 1973, no posto de Major, ingressando no quadro de Pilotos da VASP, onde, como Piloto de Linha Aérea, tornou-se Comandante, voando em linhas nacionais e internacionais.


O Melchi, de terno escuro, desfilando com a Turma 57-BQ, no aniversário da Escola

Integrante ativo e muito participante nas atividades da turma, além de cantar e tocar pandeiro nas nossas reuniões, o Melchi era membro do Conselho Editorial de O Con*dor, tendo sido imortalizado pelo poeta José Nelson na inspiradíssima letra de "Você É Canção". Sua última participação nos encontros da Turma foi no churrasco de despedida do João Carlos, em março deste ano. Na ocasião, doou o seu pandeiro aos colegas artistas da Turma.


No churrasco do João Carlos, sua última participação, ouvindo o Capitão Dário

De lá para cá, seu estado de saúde não mais lhe permitiu maiores esforços, vindo a falecer no dia 26 de setembro de 2000, aos sessenta anos de idade. Quis o destino que Baden Powell, o extraordinário músico brasileiro de fama mundial fosse seu companheiro nessa última viagem. Amigo, irmão, Melchi! As provações por que você passou após a sua aposentadoria e a serenidade com que, nos últimos meses, aguardou o seu passamento muito nos emocionaram. Temos certeza de que o seu comportamento foi mais uma lição que nos deixou. Muito aprendemos com você, desde o primeiro, até o último encontro. Todos sentiremos muito a sua falta. Bravo guerreiro, que seu último vôo o leve aos caminhos da Glória!

Seus companheiros de Turma.


GUARDADOS

Começo uma vistoria na papelada relativa à Turma 57-BQ guardada desde as primeiras reuniões no Clube da Aeronáutica. O volume de papel não cabe mais em meus arquivos. Sendo assim, eu preciso desfazer-me do desnecessário. Mas o que é o desnecessário? O que se joga fora sem o coração ir junto? Este é o medo de começar a limpeza de papéis antigos. E a nossa VIDA também não é antiga? CORAGEM! E vamos nós:


Recibos de depósitos de 98 – LIXO;
Depósito de 25/06/98 com um recado: "ZÉ, sou eu IVANZINHO, 58-276" – GUARDADO;
Recibo do TOLEDO e recado: - "Um abraço no ZÉ NERSO, de Minas, UAI e em toda a cambada" - GUARDADO;
Fax da Comissão de festa dos 40 anos em BQ (Que saudade! Alvorada festiva no Hotel Grogotó. Toca a corneta e o GUEDES e o CARDOSO reclamam: "São horas de acordar um aposentado BEQUEANO???"). – GUARDADO;
Notas e recibos de adesivos e "buttons", uma velha paixão do JOÃO CARLOS, além de comer bolinhos de bacalhau, é claro – LIXO;
Notas e impressos: coisas do NEVES ou do LUÍS MAURO – LIXO;
Impressões relatadas no regresso de uma das viagens a São Paulo (Qualquer dia a gente vai acabar morrendo por causa de uma reunião dessas - é muita emoção!) – DUNCAN – GUARDADO;
Lista de integrantes da turma já falecidos (Droga! Tem que atualizar!) – GUARDADO;
Todos os números de O CON*DOR – GUARDADO;
Cartas e bilhetes – emoções – GUARDADO;
Carta do FELICÍSSIMO - GUARDADO;
Extratos bancários (Estou ficando um "velho tesoureiro" - está na hora de passar para os outros) - LIXO;
Nota do Restaurante "Sabor e Festa", do Clube de Aeronáutica - reunião de final de ano - sempre uma alegria! - GUARDADO;
Nota da Casa de Flores: uma coroa de flores naturais - mais um pedaço de nossos corações que se vai, mas não vejo quem partiu, só choro" - GUARDADO;
Rascunho de uma crônica para o NICOLAU - nosso correspondente no céu – GUARDADO;
Plano de comunicações – GUARDADO;
Fotos no Hotel Linson – SP e na festa do Bexiga, todo mundo cantando "A Esquadrilha é um punhado de amigos" - GUARDADO;
Rascunho de "O Morcego", jornal de elite intelectualizada editado pelo jornalista PADRÃO... (o editorial tem assim o seu começo: "Meus amigos de BQ- 57: O MORCEGO não saiu - se não saiu é porque deve ter entrado" - Não é um começo profundo???) - GUARDADO;
Bilhete do JOÃO CARLOS relembrando os sessenta anos, dizendo que chegou à idade provecta (provecta, como diria o CARDOSO, dá samba) – GUARDADO;
Boletim de 1995 - Edição única - Teste : "Qual a profissão do pai da ZUZUCA?" – GUARDADO;
Recibos de viagem a São Paulo (Bar Avenida, PADRÃO falando com os paulistas do interior que conhecemos naquele dia: "Somos coronéis da Aeronáutica, mas não se preocupem, porque não somos do SNI...". Eles ficaram preocupadíssimos e o JOÃO CARLOS adorou!) - GUARDADO;
Depois, no táxi, o mesmo PADRÃO para o motorista: "O senhor sabe onde fica a rua Augusta???" - daí surgiu a frase lapidar: "PADRÃO !!! Cinco minutos calado!!!! – GUARDADO;
O "piti" do JOÃO em São Paulo, querendo ir para um lado, enquanto alguns companheiros, com total incompreensão, queriam ir para o outro: "Como diz o CARDOSO, há sempre um merecedor!"- GUARDADO;
Número 1 de "O URUBU" - janeiro de 1966 – "Teste: Qual a profissão do filho da VIÚVA?" E: "abertura do testamento da BAIXINHA faz milionário na turma. Quem?" – GUARDADO;
Programação da Seresta em Conservatória - uma beleza de festa organizada com brilho pelo CAMPÃO. A festa lembra "ANOS FELIZES E ABERTOS" – GUARDADO;
Escrito altamente profundo e filosofal: "Não somos o que fomos nos tempos escolares da FAB. Não seria justo, após tantos anos, que não aprendêssemos mais e que não evoluíssimos na nossa caminhada" - JN - ANO 1999 DC – GUARDADO;
Rascunho molhado de lágrimas de "VOCÊ É CANÇÃO" – MUITO BEM GUARDADO!

Para terminar, devo dizer que o arquivo continuou igual: Cheio de GUARDADOS!

56-86, José Nelson


PENSAMENTO DE O C0N*DOR

"Enquanto houver bacalhau e vinho, haverá vida!"

Do nosso companheiro Reis, a seus pais e irmãos portugueses.


O CON*DOR

O Con*dor é uma publicação sem fins lucrativos, destinada à divulgação de assuntos de interesse da Turma 57-BQ/Aspirantes 62, a Turma Quase Perfeita. Está, porém, aberto a companheiros de outras turmas que, com ele, queiram colaborar. É editado, bimestralmente, sob a responsabilidade da Representação da Turma.

Coordenação Geral:

Al. 57-40, João Carlos
Conselho Editorial:
Al. 57-09, Pontes
Al. 57-78, Horta
Al. 57-129, Meira
Al. 57-139, Elson
Al. 57-161, Amado
Al. 58-258, Cubas
Al. 58-276, Ivan
Editores:
Al. 57-04, Luís Mauro
Al. 57-15, Neves
Jornalista Responsável:
Carlos Rogério C. Baptista
Nº 17.997/94
Produção:
Editora Luzes:
(21) 447-4336
Redação:
(21) 247-4336
E-mail:
o.con-dor@uol.com.br
Homepage:
57bq.cjb.net//condor.html
Webmaster:
Al. 57-18 Brasil



[ VOLTAR ]