O CON*DOR Boletim Informativo da Turma 57-BQ/Aspirantes 62
Ano IV - Nº 5 - SET/OUT 1999 - ENCARTE ESPECIAL
GUEDES
Guardamos lembranças da vida, de
Um companheiro querido,
Exemplo vivo de amigo, Dedicado, leal, sempre em festa.
E agora, nas terças vazias,
Somente a saudade nos resta.
Amigo Guedes,
Insondável é o mistério da vida, onde uns merecem mais e outros menos, e na nossa limitação humana não sabemos se perdemos ou vencemos.
Neste momento, perplexos, vemos a mão do Criador levando você, pai, e seu filho, para o convívio com o Deus Pai e o Deus Filho.
Por não entendermos os desígnios do Pai, choramos suas ausências, mas, confortados e consolados pela misericórdia desse mesmo Pai, agradecemos pelos anos de convivência que nos permitiu ter.
Até breve Tesoureiro, comece a planejar as terças-feiras no Céu, onde continuaremos sendo uma TURMA QUASE PERFEITA.
57-39, Élson ENY PARA SEMPRE
O compositor e cancioneiro da Turma, 56-86, José Nelson Monteiro Vieira, em um momento de sofrida e genial inspiração, concebeu a belíssima canção que publicamos logo a seguir. Talvez para despedir-se, talvez para aliviar a nossa dor, talvez para prestar uma última homenagem ao companheiro que partiu. Pouco importa. Temos certeza de que ele foi escolhido pelo inconsciente coletivo da Turma para imortalizar o nosso Eny, que, agora que é canção, sobreviverá a todos nós e em nós também. Temos ainda a convicção de que, se choraremos juntos ao ouvi-la, nas nossas próximas reuniões, com o passar do tempo, esta canção nos trará muita felicidade, ao manter viva a lembrança de um de nossos mais queridos companheiros.
A Redação
VOCÊ É CANÇÃO
Eu tento conviver
Com a dor dessa saudade,
Lembrando do prazer
De nossa amizade.
Momento de alegria,
De dor e compreensão,
De um se abraçar
E o outro dar a mão.
Mas quem está triste sou eu,
Ele não era assim.
O atabaque tocando,
O Cardoso puxando,
Violão, tamborim,
O Amado ao pandeiro,
Num sambinha brejeiro
Do querido Padrão,
Meu maluco beleza,
A quem beijo a mão.
Meu amigo e irmão
Você hoje é canção,
Pelo amor à família,
Sua Ilha e Terê,
Por você ser você.
56-86, José Nelson BASTA A VIOLÊNCIA NOS BATER À PORTA,
PARA TALIÃO ENTRAR PELA JANELAEm 1954, ainda na era Vargas, o assassinato do Maj-Av Rubens Florentino Vaz, mesmo acidentalmente, foi o "timão" utilizado pelos descontentes com um perverso regime que deixou cicatrizes profundas na nossa sociedade, para mudar os rumos do "sistema". Sob essa bandeira, uma Força Aérea ainda menina, orgulhosamente, se fortalecia. O deslocamento que se fazia de "baratéia", em qualquer parte do Brasil, era seguido com olhares de inveja, admiração e respeito. Cada Cadete era visto como um filho respeitável da intocável família Fabiana. Essa visão fez com que muitos de nós encarássemos, com denodo e orgulho, o difícil caminho para o oficialato, a ser percorrido na Corporação.
Recentemente, em curto espaço de tempo, dois membros daquelas esquadrilhas foram, covardemente, abatidos por marginais que vivem à sombra de conceitos filosóficos - ditados por certas "ONGs" - que defendem os direitos humanos, em nome dos que agem desumanamente, resguardados por uma justiça que julga ao lume de um Código Penal elaborado para a criminalidade que campeava no início do século. "O castigo vinha a cavalo". Cada colega que se vai, leva, consigo, um fragmento da nossa gloriosa história. Ficamos ocos. Impotentes. O 59-183, Cel. Paulo Roberto de Souza Machado, foi abatido a tiros, no percurso entre uma agencia do BB e o Aeroclube que dirigia na cidade de Maricá, no Estado do Rio de Janeiro. Tudo indica não ter sido um "latrocínio", visto que os valores que ele transportava, não foram roubados. Dois meses depois, enquanto recolhido em sua casa, "protegido" pela advertência - "Área Militar" - de uma placa à entrada de um condomínio, na Ilha do Governador - RJ, o também Cel., Eny da Silva Guedes, foi assassinado por dois marginais que trajavam uniforme de "mata-mosquitos" e que, ainda, impiedosamente, atiraram em seu filho, que, por infelicidade, chegava em casa, naquele instante. O sepultamento de ambos foi no cemitério São João Batista, chocante acontecimento para seus pares; um profundo silêncio interligava nossos olhares. A indignação campeava. Caminhei até a Câmara Ardente onde os familiares prestavam aos seus entes queridos as últimas homenagens de corpo presente, mas, por absoluta falta de verbo, nem apresentei meus pesares à Viúva. Na hora aprazada, pai e filho eram transportados de per si, para as suas últimas moradas. Caminhamos em silêncio, pelos corredores soturnos e frios daquele Campo Santo. Os sepultamentos aconteceram. No retorno ao estacionamento, aqui e ali, comentários curtos surgiam. Um deles, veio ao encontro das minhas convicções e gravei. "É necessário que se reedite, imediatamente, a sábia Lei de Talião", alguém indignado proclamou. Já a caminho do trabalho, tentando esquecer o trauma, enquanto divagava, lembrei-me de um corolário aritmético que rege o seguinte: "Não se podem somar quantidades heterogêneas". Na época de Talião, o homem era medido por sua cubagem. Hoje, não. De fato: um Guedes bem poderia, pelo peso moral e social que possuía, valer muito mais do que "n" marginais e os responsáveis por "C.Q.D"
Urge que se tomem medidas, enquanto há tempo!
56-134, Clarindo dos Santos
(Transcrito de o Bqano, Ed. Ago/99, Ano 4, Nº 10)
DEUS E A ESTUPIDEZ DOS HOMENS Não! Desta vez, Ele nada teve a ver com a história. Pelo contrário, deve estar tão triste e indignado como nós. Quem nos privou do convívio de nosso companheiro e de seu filho não foi Deus. Foi a estupidez dos homens. Estupidez dos bandidos que invadiram sua residência. Estupidez dos bandidos que tomaram de assalto o poder, usando-se dos mais ardilosos subterfúgios e o vêm, despudoradamente, exercendo em proveito próprio e em proveito do grupelho, da camarilha da corja que os acompanha ou os dirige.
À família do nosso querido Eny, a sua esposa, Ione, a seus filhos, Gisele e Gláuber e à família de seu filho, Gláucio, a solidariedade, profundamente consternada, de seus amigos de Turma e a convicção de que Deus não fechará os olhos a esse descalabro por muito tempo. Tempo que, aliás, nos trará de volta a alegria e, também, se encarregará de restabelecer a verdade e colocar os bandidos no lugar que lhes cabe, na cadeia e na História.
A Redação
![]()